Caminhos de Fé e Espiritualidade

Religiões e Religiosidades

Reflexões

2015-11-01 00.04.44De todas as coisas que existem, algumas estão ao nosso alcance e outras não. Estão ao nosso alcance: o pensamento, os impulsos, o querer e o não querer – tudo aquilo cujo resultado são nossas próprias ações. Mas existem coisas que surgem sem que possamos interferir. Nesse caso é preciso saber olhar com sabedoria o que se passa. O que perturba o espírito do homem não são os fatos, mas o julgamento que fazem a respeito dos mesmos. Não peça que tudo na vida siga o caminho de sua vontade. Reze para que as coisas aconteçam como elas precisam acontecer e verá que tudo é muito melhor do que você estava esperando.

Epicteto

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Caminhos Podcast 07 – A Umbanda

#7 UmbandaEsse é um episódio especial, por ser o episódio de número 7. Como o número sete é algo muito místico para diversas religiões, queríamos trazer algo bem interessante para vocês ouvintes. A maioria sugeriu o tema sobre Umbanda e aqui está.

Na Umbanda o 7 também é muito sagrado e tem uma alta importância. Espero que todos acompanhem nesse episódio uma abordagem sobre a Umbanda de forma inicial, que com certeza suscitará em novos episódios.

Com certeza é o episódio mais longo que fizemos até agora, mas vale muito a pena ouvir ele inteiro. No final temos uma surpresa para todos.

Download: Clique aqui com o botão direito e escolha salvar link como… (136 MB).

Duração: 01hora34min.

Promoção Laroyê:

laroye“Apaga a Luz e acende a Vela que a Magia vai começar “

Quer ganhar um exemplar do livro Laroyê? Ouça o podcast e descubra como você pode participar de nosso sorteio.

Laroyê é um livro infantil abordando a Umbanda e a figura de Exu.

Sinopse: Pois bem, aqui você encontrou uma maneira. Laroyê, conta a história de Pedro, um rapaz que estava precisando de ajuda e encontrou na força de Exu aquilo que ele precisava, para ver dentro dele sua força e coragem.

Saiba mais sobre essa obra lendo a nossa resenha.

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Caminhos Podcast 06 – Novas Religiões Japonesas

Novas Religiões Japonesas Nesse episódio vamos viajar até o Japão e falar um pouco sobre a realidade religiosa da terra do sol nascente.

O Japão é um local que sofreu influências de diversos povos, tais como os chineses, coreanos e até mesmo dos europeus, mas de alguma forma manteve uma estrutura coesa dentro das suas crenças, talvez devido ao isolacionismo por ser um arquipélago.

Confira mais sobre a Oomoto, Tenrikyo, Igreja Messiânica, Seicho-no-iê, Xintoísmo e Budismo. Entenda como a restauração Meiji teve um aspecto fundamental na cultura do povo que era governado por um DEUS VIVO.

Download: Clique aqui com o botão direito e escolha salvar link como… (101 MB).

Duração: 01hora13min.

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Caminhos Podcast 05 – Sincretismo

sincretismoSincretismo é uma palavra proferida aos borbotões que acabou se tornando, praticamente, sinônimo de mistura. Entenda um pouco o que é realmente sincretismo e como ele é importante para a evolução cultural e religiosa. Entenda que o sincretismo não acontece somente nos cultos afros, mas que também é apresentado em outras religiões inclusive no Islamismo e no Judaísmo.

Download: Clique aqui com o botão direito e escolha salvar link como… (93 MB).

Duração: 01hora08min.

ATENÇÃO: Já conseguimos hospedar tudo no novo local de armazenamento. Então os posts já estão atualizados, inclusive o feed.

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  • Perdido em Pensamentos – Espiritualidade, Umbanda e Terapias Naturais, por Douglas Rainho.
  • Caminhos de Fé – Religiões e Religiosidades, por Ediléia Diniz.
  • Umbandizando – Praticando a Umbanda e espalhando seus ensinamentos, por Alexandre Abreu.

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O sincretismo japonês como estratégia de adaptação cultural

sakuraTentamos compreender, ao longo dos textos desta série sobre a cultura e religião japonesa, alguns elementos que contribuíram para o surgimento das Novas Religiões naquele país e que foram, posteriormente, transplantadas para o Brasil por meio da imigração.

Inicialmente observamos o surgimento das novas religiões japonesas tendo como base a efervescência política e social, em decorrência da “Restauração Meiji” (1868-1912). Verificamos como o forte impacto cultural provocou mudanças no campo religioso, a ponto de propiciar o surgimento destas Novas Religiões. Contudo, para um melhor entendimento de um objeto de pesquisa como é o caso da religião, torna-se necessário, inicialmente, conhecer um pouco a história de seus fundadores e os elementos que nos permitem compreender sua estrutura. O que notamos é que a trajetória de um fundador e posteriormente seu estilo de dominação, influenciam diretamente na constituição da maneira como a instituição será formada tendo como foco mais a saúde/doença, prosperidade, pecado, santidade etc.

Podemos notar também que as religiões japonesas presentes no Brasil têm um forte aspecto organizacional e funcionam no estilo empresarial de caráter familiar, o que muito se distingue das instituições cristas protestantes históricas ou mesmo das mesquitas muçulmanas, as sinagogas judaicas ou templos budistas. Isso se deve, possivelmente, por terem como referência o estilo de sucessão imperial japonês no qual a sucessão é feita de maneira familiar e também pela separação entre o poder político e o religioso.

Se no Japão elas foram elaboradas a partir da mescla de religiões e crenças nativas, quando transplantadas para o Brasil tiveram que se adaptar a mistura que já havia aqui. De acordo com o antropólogo Mark Mullins “Culturas são feitas e refeitas a partir de velhos e novos elementos”, sendo assim, quando elas se misturam uma nova cultura e tradição é feita. Os antigos conceitos e costumes são reinterpretados e adaptados a essa nova visão de mundo e então uma forma diferente de organizar a sociedade surge.

Essa adaptação cultural foi o que aconteceu com a transplantação da Seicho-No-Ie do Japão para o Brasil que ao enfatizar que o pecado não existe e que a doença é apenas uma projeção da mente curou um agricultor de disenteria amebiana. Se considerarmos que sobre o conceito de pecado está fundamentado toda uma teologia cristã, podemos imaginar o choque cultural provocado pela SNI no Brasil. Ou então o que dizer sobre o conceito de doença e purificação defendido pela Igreja Messiânica, que juntamente com o Johrei e uma alimentação natural tratam os males do corpo e da alma sem medicamentos pois os consideram toxinas? Ambas são propostas bem diferentes de lidar com antigos conceitos e arraigados a nossa cultura, mas que encontraram milhares de adeptos aqui no Brasil.

Apesar do crescimento organizacional de muitas das religiões japonesas no Brasil, ainda há um processo de acomodação à cultura local, contudo, em alguns casos notamos que sua raiz doutrinária se mantém firme. Isso ocorre, pois, a preservação cultural está presente tanto no ritual das reuniões como nas orações e meditações que acontecem em japonês e português. Neste processo de tradução dos escritos sagrados (tanto em texto como oral), quando atravessam fronteiras e precisam ser aceitas pela nova cultura em quem estão sendo instaladas, a adaptação é uma consequência natural. Nos estudos de Stuart Hall sobre a identidade cultural nos permite refletir sobre o processo de tradução que ocorre na formação de identidades que atravessam fronteiras naturais.

“Essas pessoas retêm fortes vínculos com seus lugares de origem e suas tradições, mas sem a ilusão de um retorno ao passado. Elas são obrigadas a negociar com as novas culturas em que vivem, sem simplesmente serem assimiladas por elas e sem perder completamente suas identidades. Elas carregam os traços das culturas, das tradições, das linguagens e das histórias particulares pelas quais foram marcadas.”

Quando falamos de mistura, sobreposição, adaptação, organização, classificação, separação estamos nos referindo ao conceito tão amplamente utilizado por religiões de origem étnica, que é o Sincretismo. Embora ele seja mais percebido em religiões afro-brasileiras ou que tenham alguma influência desta cultura, sincretismo não é apenas equivalência como no caso dos orixás e santos católicos. Segundo Sérgio Ferretti, sincretismo foi uma estratégia empregada no processo de aculturação em que incluía conflitos, acomodação da religião e assimilação por novos adeptos. No entanto, observamos que mesmo assim, devido à pouca profundidade na discussão deste tema, o apelo a tradição é requerido como forma de se justificar “mais verdadeira” ou “mais pura”.

A pesquisadora Patrícia Birman afirma que “sincretismo é uma dimensão que está presente na reflexão da sociedade brasileira e da importância de procurar a coerência lógica que está por baixo deste fenômeno”. Sendo assim, podemos compreender melhor porque tantos japoneses adotaram o Brasil como sua pátria, constituindo família aqui, firmando raízes, sem, contudo, perder a tradição nipônica. O sincretismo japonês e o Brasil pluricultural têm muito mais em comum do que vislumbra a nossa racionalidade.

Em se tratando de religiões japonesas, a necessidade de conhecimento histórico e cultural do pesquisador é maior, devido a valores orientais que em muito se distingue das ocidentais. Essas noções, se não forem compreendidas pelo pesquisador, podem prejudicar a sua avaliação e o seu olhar sobre o objeto de pesquisa. Contudo, a maior dificuldade, sem dúvida está no campo da língua, que em sua escrita nada se assemelha aos caracteres ocidentais, o que imaginamos ser o grande fator limitador para o pesquisador.

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O messianismo japonês – A Igreja Messiânica Mundial

palácio de cristal

Palácio de Cristal – Atami

As profundas mudanças que aconteceram no arquipélago japonês, fruto da Restauração Meji, tiveram repercussões significativas no povo japonês. A instabilidade econômica causou conflitos socioculturais e o campo religioso reagiu prontamente à todas as influências ocidentais, tanto que o processo xamânico foi instaurado em várias religiões suscitando uma intervenção divina. Vimos nos textos anteriores que algumas fundadoras e fundadores das novas religiões no Japão passaram por processos assumidamente xamânicos, ou seja, de total integração com divindades japonesas, e a partir das revelações recebidas propagaram novas visões de mundo.

A entrada do Cristianismo no Japão trouxe também o conceito de Messias, algo novo e próprio da cultura judaico-cristã (apesar deste conceito ser anterior a esta cultura) e que agora ganha força devido a necessidade de personificar um Salvador. De acordo com os estudos do sociólogo francês Henri Desroche, um processo messiânico-milenarista ocorre geralmente em momentos de transição, de profundas mudanças, quando há uma desesperança no mundo atual e somente a intervenção divina pode resolver os conflitos existentes. O Salvador, escolhido por Deus e portador de uma mensagem profética, viria então trazer revelações para a sociedade, no entanto poucos ouvirão e compreenderão, sendo esses “os escolhidos” no momento do arrebatamento final.

O fundador

A ideia de salvação do mundo atual pairava sobre a sociedade japonesa, que passava por um momento conturbado que originou a uma série de personagens que ora se portam como profetas, ora assumem o caráter de messias, efetivamente. Dentre esses, o nome de maior projeção é o de Mokiti Okada, que assumiu depois o nome religioso de Meishu-Sama (Senhor da Luz). Okada nasceu em 23 de dezembro de 1882 (a proximidade com o nascimento de Cristo é reforçada por alguns membros da igreja), vindo de família pobre, mas que havia tido muitas posses devido terem sido proprietários de uma casa de penhores. A crise econômica, originada da transição entre a japonização extrema e a modernidade ocidental havia destituído a família Okada de seus bens financeiros na época do nascimento do fundador.

meishusama02Aos 13 anos ingressa na Escola de Belas Artes de Tóquio mas devido problemas de saúde na visão não pode concluir. A saúde foi sempre um item que mereceu bastante atenção na vida de Mokiti Okada, sendo que sempre teve uma fragilidade física e apresentou inúmeros problemas de saúde como assim fora descrito em sua biografia Luz do Oriente (Volume 1): “Tive quase todas as doenças, exceto as de senhoras. ” Isso foi algo tão forte na vida de Okada que sofreu com inúmeras enfermidades até quase os quarenta anos, além da timidez e do pessimismo que o perseguiam. Toda essa experiência adquirida por Mokiti Okada influenciará significativamente na doutrina que fundará posteriormente.

Já adulto, por volta dos 23 anos, Okada tem a oportunidade de ter seu próprio negócio, uma loja de miudezas, contudo os problemas com a saúde persistem e por diversas vezes atrapalham seu sucesso empresarial em outros momentos.

Ateu declarado, até os 38 anos nunca havia feito uma oração e criticava severamente a adoração as imagens ou a peregrinação aos templos religiosos que existiam no Japão. Contudo, as inúmeras experiências que teve desde a morte da primeira esposa e filhos até a falência e os contínuos problemas de saúde, resultaram numa mudança de postura e pensamento de Okada. Foi após ter tido contato com a Oomoto, por meio da fundadora Nao Deguchi e o texto revelado Ofudesaki, que o Okada materialista se encanta e da oportunidade para o surgimento do Okada espiritualista. Mesmo sempre tendo gostado muito de ler obras sobre o pragmatismo de William James ou a filosofia da intuição de Henri Bergson, foi a perspectiva da Oomoto de reconstrução do mundo e a toxidade dos remédios que atraíram Okada.

Xamanismo messiânico

monte nokoguiri

Mokiti Okada e seguidores no monte Nokoguiri

No entanto a transformação maior de Okada ainda estava por vir, em 25 de dezembro de 1926 entra em transe por 3 meses quando recebe uma série de revelações sobre o passado e o futuro da humanidade. Essas previsões declaram Okada como sendo o portador de uma missão divina e que deve executar a obra de salvação da humanidade. A grande revelação divina ocorre em 1931 quando Okada, juntamente com alguns seguidores, peregrinam ao monte Nokoguiri, no templo Nihon-Ji e na madrugada recebe a revelação da Transição da Era da Noite para a Era do Dia.

Durante o tempo em que trabalhou na Oomoto até o ano de 1934, atuou ativamente como missionário e pode experimentar e testar as práticas religiosas da instituição, entre elas o tinkon (ato de acalmar a alma). Posteriormente Okada institui o johrei, ato de imposição de mãos para transmissão da luz divina, além de uma série de orações como a Amatsu-Norito e a composição da Zenguen-Sandji, baseada na sutra Kannon (Sutra de Lótus).

MeishuSama27Em 1935 Okada funda a Dai Nipon Kannon Kai (Igreja Kannon do Japão) que posteriormente muda para Igreja Messiânica Mundial. A presença do Budismo é marcante na religião, que embora tenha traços Xintoístas pontuais como o animismo e a ritualística, a figura de Kannon, especialmente a Kannon de Mil Braços, sempre esteve muito presente na religião. Segundo relatos, em determinando momento, o fundador estava sendo entrevistado por um jornalista e o mesmo, ao fotografá-lo, nota que acima de Okada há a imagem desta Kannon (foto ao lado). Outro relato, agora de um fiel da Oomoto, afirmava estar vendo, acima de sua cabeça, um redemoinho e no centro dele a imagem de Kannon, assim como uma cruz em suas costas.

Com os sucessos obtidos a partir das orientações do fundador e do método de transmissão de luz, Johrei, a religião sofre intervenção por parte de autoridades japonesas o que acaba resultando em sua prisão, acusado de curandeirismo. Posteriormente, após ter recebido novas revelações, em 15 de junho de 1954, Mokiti Okada reúne os membros no Templo Messiânico e anuncia-se como Messias, devido seu Estado de União com Deus.

Naturalmente, sou religioso, mas não sou um fundador de religião como foram Sakyamuni ou Jesus Cristo; tampouco sou um personagem sobrenatural. Em verdade, abranjo aspectos mais amplos (…). Consequentemente, no futuro, quando se fizerem pesquisas sobre minha pessoa, inevitalmente surgirão inúmeras críticas. Com este pensamento, quero deixar retratada minha imagem mais real. (Luz do Oriente, vol. 1)

Após o anuncio, Meishu-Sama segue sua missão de concretizar o Paraíso Terrestre e falece no ano seguinte, em 1955, após uma série de problemas de saúde.

Princípios Básicos Messiânicos

Mokiti Okada pode ser considerado um revolucionário, não somente pela sua proposta de vida, mas pela perspectiva que tinha de determinadas situações do cotidiano. A doutrina messiânica está alicerçada em três colunas principais: O Johrei, a Agricultura Natural e o Belo.

Johrei

meishu-samaA proposta do Johrei, como método de transmissão de luz divina capaz de livrar as pessoas dos diversos sofrimentos, atua principalmente no espirito, pois é dele que provém a maior parte dos males que se manifestam no corpo. Tendo como princípio que o Espirito precede a matéria, o johrei atua diretamente no espirito, pois é dele que se origina os males que se manifestam no corpo carnal. Contudo, por meio da ingestão de elementos químicos, a partir de alimentos com agrotóxicos, remédios ou outros, o corpo físico pode acumular toxinas, que se não eliminadas (purificação), poderão macular o corpo espiritual. No entanto, o acumulo de toxinas espirituais, pode ocorrer também devido pensamentos, palavras e ações negativas.

Agricultura Natural

A proposta do cultivo de alimentos sem adubos ou agrotóxico faz parte da prática doutrinária messiânica que incentiva os membros na realização da horta caseira. De acordo com Meishu-Sama, o uso de elementos químicos nas plantações provoca uma contaminação no Solo assim como nos alimentos. Por sua vez, ingeridos pelo ser humano ou pelos animais, seu corpo físico será contaminado por essas toxinas que depois precisarão ser eliminadas por meio de uma gripe ou diarreia, por exemplo.

Os alimentos cultivados por meio da agricultura natural, são mais abastecidos de energia vital, ou seja, alimentam não somente o corpo material, mas também o corpo espiritual, além de contribuir para uma sustentabilidade planetária.

Belo

Ikebana SanguetsuNaturalmente nota-se uma influência direta da vida familiar do fundador nesta coluna, visto que sempre foi um apreciador da arte. Neste caso, cabe aos membros a prática de introduzir o belo em suas vidas por meio de flores nos ambientes e limpeza. A limpeza é um item importante, pois torna o ambiente mais agradável para convívio. Além disso, por meio dos arranjos florais estilo Ikebana Sanguetsu, é possível embelezar e purificar os locais e aqueles que apreciam sua beleza. A contemplação de obras de arte é também um bom alimento para a alma, que pode receber luz e purificar desta forma.

O estilo Mokiti Okada de atuação sempre foi inovador, chegando até a ser considerado um homem feminista, pois tratava as mulheres de maneira diferente do que habitualmente se fazia na cultura japonesa. Okada era um conhecedor da alma feminina e dizia assim pois havia sido mulher na última encarnação e, portanto, possuía algumas características femininas nesta encarnação como a sensibilidade artística. Desta forma, criou alguns objetos artísticos para adornar as mulheres.

Outro ponto diz respeito ao trato de sua esposa Yoshi Okada, que de maneira inédita na cultura japonesa, sucedeu seu esposo sendo responsável pela organização da religião no que se refere a doutrina, liturgia e o estilo de montar os arranjos florais (estilo Ikabana). A sucessão, sempre familiar, assemelha-se ao estilo imperial (Trono do Crisântemo). No caso messiânico, a liderança espiritual é representada pelo Trono de Kyoshu, ocupada sempre por um membro do clã. Desta forma, a esposa do fundador ficou conhecida por Nidai-Sama, sua filha que lhe sucedeu nomeada como Sandai-Sama e o atualmente a liderança é ocupada pelo neto do fundador, o atual Kyoshu-Sama.

A Igreja Messiânica Mundial está presente em todos os continentes e atualmente possui Solos Sagrados em vários deles (Solos Sagrados). No Japão há três protótipos (Hakone, Atami e Kyoto) que foram idealizados e construídos pelo fundador como forma de servir de modelo, pois trata-se de um local de perfeita harmonia entre a natureza e a construção humana. Além destes, há também o Solo Sagrado de Guarapiranga em SP, o Solo Sagrado de Saraburi, na Tailândia e há previsão de construção de mais um em Solo Africano, onde a igreja vem crescendo.

SSG

Solo Sagrado de Guarapiranga – SP

Para maiores informações sobre a Igreja no Brasil, acesse o site da instituição: www.messianica.org.br

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O legado de Masaharu Taniguchi

Kasato_Maru_Postal_CardO estudo sobre religiões japonesas é sempre desafiador para o pesquisador pois necessita de certa compreensão da cultura japonesa e do pensamento oriental, tanto que ao conhecer o seu idioma (nihongo), já observamos que a construção gramatical da frase é completamente diferente da nossa ocidental. Sendo assim, se a forma de pensar é tão diferente, naturalmente seus hábitos e costumes também são e assim como sua visão de mundo. Temos procurado, nesta série de textos, demonstrar uma perspectiva sócio antropológica das religiões no Japão, e considerando que a religião é uma expressão cultural, poderemos, de igual forma, conhecer mais desta cultura tão fascinante.

Das religiões japonesas presentes no Brasil, há duas que são mais expressivas e que possuem um grande número de adeptos que são a Seicho-No-Ie e a Igreja Messiânica Mundial. No Brasil as novas religiões japonesas chegaram juntamente com os imigrantes japoneses em 1908 que vinham na esperança de enriquecer e retornar para sua terra natal. O governo japonês incentivou a emigração como alternativa para aliviar os conflitos sociais. Os primeiros contingentes foram destinados ao Havaí, Canadá, Peru, Argentina e posteriormente ao Brasil. Iludidos pelo “paraíso brasileiro” a bordo da embarcação a vapor Kasato Maru, a primeira remessa de japoneses chegou ao porto de Santos em 1908 (visite o Museu da Imigração Japonesa localizado no bairro da Liberdade – http://www.museubunkyo.org.br).

A Seicho-No-Ie surgiu no Japão em 1930, num momento de forte tensão política e econômica provocada pela “Restauração Meiji”, iniciada em 1868. As novas religiões eram resultantes de uma efervescência cultural produzida por mudanças desencadeadas pela entrada do Japão no sistema econômico capitalista. Nesse sentido, a partir dos anos 30, iniciou-se um processo de ‘ocidentalização do Oriente’, em que a importação da tecnologia militar, dos costumes e elementos da cultura americana e européia seria apenas um capítulo da história pré Segunda Guerra Mundial.

Taniguchi-Masaharu

O casal Taniguchi

Foi neste contexto que Masaharu Taniguchi (1893-1985) teve sua formação intelectual que resultaria mais adiante na fundação da Seicho-No-Ie. Filho de lavradores, Taniguchi nasceu no município de Kobe, era o segundo filho de uma família numerosa, formada por cinco meninos e duas meninas. Aos quatro anos de idade, foi adotado por uma tia e levado para a cidade de Osaka. Taniguchi teve a oportunidade de ingressar na universidade de Waseda, ali, apesar de não concluir o curso, foi influenciado por Oscar Wilde, William James e Arthur Schopenhauer. Taniguchi tomou conhecimento na universidade também da psicanálise, hipnotismo, espiritismo e da corrente norte-americana do “Novo Pensamento”. Foi membro da seita Oomoto por cinco anos contribuindo com artigos os quais eram escritos para periódicos da sede central em Ayabe, até se desligar dela, em 1921. Nos oito anos seguintes, Masaharu Taniguchi, já casado com Teruko Emori, trabalhou na Vacuum Oil Company como tradutor, o que lhe permitiu estabilidade financeira, ao mesmo tempo em que pode aprofundar seus conhecimentos sobre o Budismo, Cristianismo e escritos da Ciência Cristã.

No final de 1929 Masaharu Taniguchi atribui ao deus Sumiyoshi, divindade xintoísta, a origem das revelações que afirmava ter recebido. Sendo assim, decidiu reunir seus escritos e publicá-los em 1º de março de 1930, lançando naquela ocasião a revista Seicho-No-Ie, que significa “lar do progredir infinito”. Essa revista continha artigos de sua autoria e nela Taniguchi apresentava entre outras coisas, as suas descobertas e as revelações recebidas. O lançamento da revista impulsionou o movimento e, em 1932, a distribuição da revista adquiriu caráter nacional e seu conteúdo passa a ser preenchido também com relatos de cura de leitores.

Sobre o momento da revelação divina que o fundador afirmou ter recebido, foi assim registrado no volume 20 da coleção A Verdade da Vida:

“Certo dia, estava mentalizando – sentado, olhos cerrados, e mãos em posição de prece – para receber a Revelação da Verdade. Nesse momento, não sei se foi causalidade ou se foi orientação de Deus, lembrei-me das palavras Shiki soku zé kuu (tudo que é fenomênico e vazio de essência) da escritura budista. Súbito, não sei de onde, passei a ouvir uma voz que parecia uma grande vaga: uma voz grave, porém ampla e macia, mas bastante imponente. A matéria não existe!, disse essa voz.

Então lembrei-me das palavras Kuu soku zé shiki (O vazio é igual ao fenomênico). Repentinamente, essa voz que parecia uma grande vaga, respondeu: Tudo surge do nada. Todo fenômeno é manifestado pela mente e, originariamente, é nada. Como é originariamente nada, tudo surge do nada. Como a ilusão de que tudo nasce do existe, ocorre o apego ao existe, e há o sofrimento. […] Fica sabendo: todo e qualquer fenômeno é inexistente. É inexistente inclusive o teu corpo carnal. Então, pensei se existe a mente. No mesmo instante, a mesma voz respondeu: ‘A mente também não existe!’ Até então, eu pensava que houvesse um misterioso cavalo indomável chamando mente e que seria muito cansativo domá-lo. Entretanto, conforme a declaração: ‘A mente também não existe!’, eu desci desse cavalo indomável da mente para a terra firme da Imagem Verdadeira.

‘Se nem a mente existe, então, não existe coisa alguma?’, assim perguntei novamente ao dono daquela voz.

‘Existe a Imagem Verdadeira!’, respondeu nitidamente a voz.

‘A imagem do nada, é a Imagem Verdadeira? O nulo, é a Imagem Verdadeira?, perguntei eu.

‘A imagem do nada não é a Imagem Verdadeira. O vazio não é a Imagem Verdadeira. O que é vazio é vazio é fenômeno. Os cinco elementos que podes perceber – o corpo, a sensibilidade, a imaginação, o trabalho mental e o conhecimento -, é o vazio’. […]

‘Então, que é a Imagem Verdadeira?’, perguntei. ‘A Imagem Verdadeira é Deus. O que existe é unicamente a Mente de Deus. Isso é a Imagem Verdadeira’. O que é dito Deus, evidentemente englobava também o significado de Buda (Liberto). […] Agora, aqui ressuscita a Vida que vive eternamente. É agora! É já! É o agora eterno! Agora é a ressurreição! Vive tu o agora!”. (grifos do autor).

O recebimento desta revelação representou para Taniguchi o seu “despertar espiritual” ou o momento em que realmente ele recebeu a missão de trazê-la à tona. Após se debruçar sobre a mensagem, e identificá-la como de origem divina, Taniguchi reúne seus escritos e descobertas religiosas a fim de publicá-los. Ele acreditava que as revelações recebidas, num total de 33, eram provenientes do deus Sumiyoshi, de origem xintoísta ou seu correspondente Amidabutsu, divindade budista. Em referência a esta divindade especificamente, Taniguchi apresenta que Amidabutsu reúne três outras divindades, sendo Amida, Kannon que tem ação da misericórdia e Seishi, com ação da sabedoria. A escolha por Masaharu, por parte da divindade, e não de outros líderes religiosos, se deveria, ainda segundo ele, ao fato deles não terem divulgado corretamente essa mensagem.

Coleção a Verdade da Vida

A coleção A Verdade da Vida

No Japão, o registro oficial da Seicho-No-Ie e o ato de reconhecimento pelo governo japonês como entidade religiosa ocorreu somente em 1935, quando lhe foi atribuído o caráter de “cura milagrosa”. Posteriormente, Taniguchi reuniu seus principais artigos da revista Seicho-No-Ie e publicou o livro A Verdade da Vida, composto hoje por 40 volumes e que constitui a principal obra doutrinária da instituição. Masaharu Taniguchi escreveu mais de 400 livros sob inspiração divina, como argumentava, que dão suporte ao estilo sincrético de viver da Seicho-No-Ie, sem deixar de ser uma forma religiosa de acompanhar as mudanças sociais e culturais. Para Taniguchi “o homem virtuoso adapta-se as circunstâncias” e este caráter versátil lhe é atribuído até hoje, assim como o seu reflexo se faz presente na instituição que fundou e administrou por 55 anos.

A Doutrina

A doutrina formulada por Taniguchi se fundamenta em três princípios básicos: o homem é filho de Deus e originalmente isento de pecado; o mundo fenomênico é sombra (produto) da mente; e todas as religiões emanam de um único Deus Universal. Denominando-se como não-sectarista a Seicho-No-Ie despreza uma única forma de identificação, visto que na compreensão difundida pelo fundador ela poderia ser classificada como religião ou filosofia. O que realmente importava para Masaharu Taniguchi, e também para seus adeptos atualmente, é o caráter único da Seicho-No-Ie. De acordo com o Mestre, como o fundador é conhecido, somente é possível conhecer uma religião praticando seus ensinamentos, mesmo que eles se baseiem essencialmente no Xintoísmo, Budismo e Cristianismo. Contudo muitos adeptos classificam a Seicho-No-Ie como uma religião por excelência, visto que o papel de “re-ligar” o homem a Deus é o objetivo maior dos ensinamentos do fundador. Independentemente de classificar a Seicho-No-Ie como religião ou filosofia de vida, para os adeptos e também para a instituição o mais importante é, conforme mensagem no site da instituição: “[…] despertar no coração das pessoas a verdade de que todos são filhos de Deus e fazer com que, através de atos, palavras e pensamentos, tornemos este mundo um mundo melhor que permite ao indivíduo uma melhor prática de sua religião de origem”.

A Seicho-No-Ie no Brasil

Trabalhando arduamente na lavoura do café, esses imigrantes resumiam sua religiosidade no culto aos antepassados, praticado como tradição cultural. Em 1933 o livro Seimei no Jissô (A Verdade da Vida) é recebido pelo lavrador Daijiro Matsuda, que acredita estar curado de sua desinteria amebiana após a leitura do livro. Desde então, as publicações da Seicho-No-Ie têm sido distribuídas pelos adeptos como forma de divulgação doutrinária, em continuidade ao trabalho missionário iniciado pelos irmãos Matsuda.

Copyright Mauricio Andrade

Calendário da SNI

Nos anos 60, a divulgação da Seicho-No-Ie ultrapassa as fronteiras simbólicas  da colônia, e inicia em sua integração adeptos brasileiros não descendentes de japoneses. Sendo assim a Seicho-No-Ie começa um processo de aculturação e assimilação, juntamente com seus líderes e membros da colônia japonesa. Atualmente a Seicho-No-Ie se constitui a segunda maior religião japonesa no Brasil, de acordo com o Censo, realizado pelo IBGE, é a única dessa categoria que possui um programa na tv aberta em âmbito nacional. Seus calendários de parede e posteriormente os de mesa com mensagens espirituais de autoria de Masaharu Taniguchi podem ser encontrados em estabelecimentos comerciais, repartições públicas e empresas comerciais de diversos segmentos.

A Seicho-No-Ie está hoje presente em todo o país sendo sua Sede Central no bairro do Jabaquara em SP além das sete Academias de Treinamento Espiritual localizadas em Ibiúna (SP), Santa Fé (BA), Santa Tecla (RS), Curitiba (PR), Amazônia (PA), Goiás (GO) e Minas Gerais (MG). Possui também associações regionais e locais que totalizam mais de 3.000 em todo o território nacional.

Academia de Ibiúna - SP Seicho-No-Ie do Brasil

Academia de Ibiúna – SP Seicho-No-Ie do Brasil

A reuniões são realizadas em português e em alguns locais, dependendo da quantidade de imigrantes, há cultos em japonês também. Devido ser uma doutrina bem sincrética, não há restrição de pessoas e sua integração a crença atual do adepto é bem aceita. Sendo assim, frequentemente vemos pessoas que praticam a Seicho-No-Ie e quando são questionadas sobre sua pertença religiosa, dizem-se membros de outra instituição. Isso foi um problema para a Igreja no Brasil que a partir de 2000 passou a incentivar os membros a se declararem como “membros da religião SeichoNo-Ie”.

No próximo texto, conheceremos um pouco da Igreja Messiânica Mundial e seu messias Meishu-Sama, que menos sincrética que a Seicho-No-Ie, traz uma perspectiva e práticas mais revolucionárias e ambiciosas.

 

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Xamanismo carismático no Japão antigo

KitsuneA tradição japonesa está muito ligada ao culto a natureza pois a considera uma criação divina, sendo assim sol, lua, mares, rios, mata etc tem um espírito divino guardião e neles há uma manifestação divina. A perspectiva animista está muito presente nas religiões japonesas que se consideram monoteístas e a prática de possessão de espíritos animais é uma realidade.

Dentro das ciências que estudam o fenômeno religioso há uma discussão sobre a terminologia correta, se deveria ser adotado a nomenclatura possessão, xamanismo ou incorporação. Contudo, não nos ateremos a esta abordagem neste estudo no momento, pois renderia um outro post e fugiria da nossa temática atual.

A possessão por espíritos, na tradição japonesa, é um fenômeno cultural e neste caso, uma pessoa pode ser possuída pelo espírito mau, espírito animal ou uma divindade como foi o caso das fundadoras Nao Deguchi e Miki Nakayama que apresentamos no estudo anterior. Muitas vezes, a possessão por espíritos em mulheres, frequentemente, está associada a acessos de loucura. No caso das fundadoras da Oomoto e da Tenrikyo, trata-se de uma possessão estilo “kamigakari”, ou seja, uma possessão divina. Esse fato também ocorrerá em outros fundadores de religiões japonesas como é o caso de Massaharu Taniguchi e Mokiti Okada.

A crença na possessão não é algo novo na cultura japonesa e já houveram casos de imperatrizes (Jingû, por exemplo) que passaram por essa experiência xamânica como forma de trabalhar seu carisma pessoal. Em se tratando de uma cultura essencialmente patriarcal, e para não dizer machista, a pratica do xamanismo torna-se um importante recurso para as mulheres como forma de obter reconhecimento, visto que sua palavra ganha conotação divina no momento da incorporação.

A comunicação com os espíritos é uma realidade muito praticada, visto que o imperador seria um descendente da deusa sol e viria de uma linhagem ininterrupta. Sendo assim, essa comunicação ocorria, muitas vezes, por meio de práticas meditativas budistas. Em alguns momentos, o imperador poderia requisitar a uma miko (médium ou xamã), que incorporaria uma divindade de uma outra linhagem que não a sua, para uma consulta sobre assuntos diversos. O historiador Kunio Yanagita registrou muitas histórias deste folclore japonês na obra Histórias das xamãs do Japão, publicada em 1930. Havia também o caso de xamãs errantes, que peregrinavam entre aldeias atendendo as pessoas por meio de outras técnicas (clarividência, cartomancia, rezas, transe, etc).

As práticas xamânicas, muito encontradas durante o período feudal, caíram em desuso na época da Restauração Meiji, principalmente devido a influência americana e cristã que chegou no país. Sendo assim essas se tornaram proibidas e muitas vezes foram consideradas ilegais, podendo ocorrer a prisão de seus praticantes. Quando alguns membros das novas religiões no Japão foram possuídos e introduziram práticas de transmissão energética ocasionando curas milagrosas ou exorcismos, passaram a ser caçados e presos de acordo com a Nova Lei sobre as Organizações Religiosas de 1945.

Sobre a incorporação especificamente, o filósofo japonês e fundador da Igreja Messiânica Mundial, Mokiti Okada tem alguns pronunciamentos publicados em suas obras doutrinárias. Neles Okada menciona que há três tipos de incorporação, como as acima mencionadas, e que se o ser humano soubesse distinguir, poderia usar de maneira proveitosa esse recurso.

“Se desenvolvêssemos a capacidade de discernir os tipos de incorporação e soubéssemos dispensar-lhes as devidas cautelas e orientações, a incorporação seria útil à sociedade humana. Mas deixo claro que, além desse discernimento ser quase impossível, se o conhecimento sobre o assunto for apenas superficial, as consequências poderão ser desastrosas.” (Ensinamento: Incorporação, Alicerce do Paraiso, Vol 2, pg. 90)

De acordo com o filósofo, seria possível inclusive incorporar o espírito de uma pessoa encarnada, principalmente no caso de haver uma relação entre pessoas próximas que teriam um elo espiritual. Ou então, pode ocorrer um tipo de incorporação de espíritos animais “kudaguitsune” que seriam raposas de pelo branco e macio (foto acima) que se prestam a fazer qualquer tipo de maldade ordenada pelos homens. Para mais informações sobre a perspectiva messiânica recomendo a leitura dos textos: Incorporação e Incorporação e encosto de espírito encarnado ambos publicados no livro Alicerce do Paraíso, vol 2.

Não há uma uniformidade entre as religiões sobre esse assunto, o que se observa é que frequentemente os adeptos destas novas religiões, principalmente no Brasil, acabam tendo uma múltipla pertença, geralmente associadas a religiões mais espiritualistas. No próximo texto veremos que tanto Massaharu Taniguchi quanto Mokiti Okada tiveram sua experiência xamânica que resultou na fundação de suas próprias filosofias religiosas.

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Caminhos Podcast 04 – Quaresma

QuaresmaNessa edição do Caminhos Podcast, falamos sobre a questão da Quaresma. Qual seu impacto na vida das pessoas? Realmente há uma negatividade maior nessa época? Como as religiões interpretam esse período? Também respondemos algumas perguntas dos ouvintes sobre o tema Quaresma. Deixe seu comentário para sabermos o que vocês acharam do episódio.

Download: Clique aqui com o botão direito e escolha salvar link como…

Duração: 52min02s.

ATENÇÃO: Tivemos que mudar o local de armazenamento do podcast por motivos técnicos. Então os três primeiros episódios podem ser acessados pelo SOUNDCLOUND e os novos serão acessados sempre pelas páginas dos blogs. Em breve disponibilizaremos o nosso feed atualizado.

PROMOÇÃO – O SORTEIO SERÁ DIA 31 de MARÇO de 2016.

Em uma parceria com a Editora Petit vamos sortear dois livros para os ouvintes do CAMINHOS PODCAST. A Editora Petit é a responsável pelo lançamento dos livros do Espírito Patrícia, pela psicografia da médium Vera Lúcia Marinzeck, dentre eles o best-seller Violetas na Janela. Mas também possuem uma das traduções mais interessantes do Livro dos Espíritos, com uma linguagem contemporânea, além de uma encadernação tipo espiral, que facilita em muito a consulta e o estudo da codificação.

Vamos sortear o Livro dos Espíritos, de Allan Kardec e também o livro Só para você – Construir um novo caminho, com mensagens de espíritos diversos, através da psicografia de Gilvanize Balbino Pereira.

A sinopse do livro é: “Nesta coletânea de mensagens psicografadas por Gilvanize Balbino Pereira, os Espíritos da Colônia de Jade abrem novos caminhos para a elevação da alma e propõem soluções para as mais diversas questões do dia a dia. Com sua linguagem simples, os Espíritos nos ensinam que a felicidade está ao nosso alcance, cabe a nós irmos ao encontro dela.”

Para participar você precisará comentar e compartilhar o POST OFICIAL no Facebook com a hashtag #CPEspiritismo. Todos que tiverem cumprido a regra, participarão de um sorteio. Divulgaremos o ganhador na edição de número 04 do nosso podcast na sessão de recados. Boa sorte a todos.


Conheça os blogs dos participantes:

  • Perdido em Pensamentos – Espiritualidade, Umbanda e Terapias Naturais, por Douglas Rainho.
  • Caminhos de Fé – Religiões e Religiosidades, por Ediléia Diniz.
  • Umbandizando – Praticando a Umbanda e espalhando seus ensinamentos, por Alexandre Abreu.

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Petit

Apoio Cultural: Editora Petit

 

 

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Xamanismo no Japão: a vez das mulheres como fundadoras

 tenrikyoA oposição entre o Oriente e o Ocidente já despertou muito a curiosidade de diversos estudiosos, entre eles alguns antropólogos que publicaram suas pesquisas relatando o ocorrido no território nipônico naquela época de choque cultural. Entre tantos nomes destaco as contribuições de Renato Ortiz (livro – O próximo e o distante) e Ronan Alves Pereira (Possessão por espírito e inovação cultural) que norteiam a elaboração deste texto.

A chegada da cultura ocidental, como descrevemos nos textos anteriores, provocou mudanças no pais e forçou os japoneses a adotarem novas práticas e posturas diante de situações do cotidiano. Muitas pessoas ficaram sem trabalho por não terem uma qualificação e o índice de desemprego aumentou consideravelmente. Surgiram neste meio seitas budistas que incentivavam seus sacerdotes e adeptos a prática da mendicância, entre elas a Ittoen na qual teve como adepto o jovem Masaharu Taniguchi nos anos 30, antes de fundar a conhecida Seicho-No-Ie.

No caso das duas Novas Religiões Japonesas iniciais, a Oomoto e a Tenrikyo, há uma semelhança em particular, pois ambas foram fundadas por mulheres. Em se tratando de uma cultura altamente patriarcal, em que cabia a mulheres papéis menores na sociedade, ambas só foram ouvidas após serem possuídas por divindades em rituais xamânicos. Ambas vieram de famílias tradicionais, alicerçadas no pensamento feudal e que sofreram com a passagem para a era moderna.

A Tenrikyo de Miki Nakayama

miki NakayamaMiki Nakayama, fundadora da Tenrikyo, teve uma vida marcada por episódios de sofrimento, privações e conflitos familiares. Casada aos 13 anos, dedicou-se aos cuidados da casa, dos sogros, marido e filhos. Naquela época quando uma jovem casada, habitualmente ia morar com a família do marido e passava a servir como empregada da casa, lavando, cozinhando e servindo de acordo com as ordens da sogra.

Extremamente devota do Buda Amida (um dos cinco da meditação, apresenta-se sobre a flor de lótus e purifica os desejos), teve pouca instrução e frequentou apenas a escola-templo por apenas três anos. Não acumulou muitos bens e pouco do que conseguiu juntar, distribuía aos pobres. Aos 41 anos de idade funda a Tenrikyo, após ter sido possuída inúmeras vezes pelo espírito de um Kami (como são chamados os deuses no Japão). Durante a possessão ficava reclusa em casa dizendo ouvir vozes e falando com Deus, fatos esses que ocorriam geralmente à noite em forma de pesadelos, gemidos e berros no depósito da casa. Às vezes ficava trancada por três dias seguidos. A divindade Kunitokotachi-no-Mikoto (deus fundador primordial do Japão), teria sido incorporado pela xamã e sido o responsável pelas revelações a ela.

Para a Tenrikyo o ser humano nasceu para ter uma vida de alegria e felicidade, pois foi criado originalmente para isso. Nosso corpo foi emprestado por Deus e apenas o nosso espírito é essencialmente nosso. Quando falamos de espírito, devemos entender que para os japoneses isso engloba coração, pensamento e mente, pois ai reside nosso espírito. Portanto se vivemos no corpo de Deus, daí fica claro e estabelecido a estreita ligação com o Deus Criador do Universo e a necessidade de ter equilíbrio entre corpo e espírito.

Para maiores informações sobre as atividades da Tenrikyo no Brasil, recomendamos o acesso ao site da instituição no Brasil: http://www.tenrikyo.org.br/home

A Oomoto de Nao Deguchi

Nao deguchiNao Deguchi, fundadora da Oomoto, teve uma vida ainda mais trágica, pois ficou órfã aos 9 anos de idade sendo forçada a trabalhar como doméstica deste cedo. Casou-se forçadamente muito cedo com um homem que bebia excessivamente e teve doze filhos, destes alguns morreram logo após o nascimento e o mais velho tentou se matar algumas vezes. As privações eram inúmeras e Nao não recebeu instrução escolar, o que torna seu feito posterior ainda mais extraordinário. Então em 3 de fevereiro no ano que completou 55 anos, a xamã foi possuída pela divindade Ushitora e escreveu o livro sagrado Ofudesaki até o ano de 1918 após sucessivas possessões que duraram alguns anos.orig_ofudesaki2a

Publicado atualmente pela Oomoto do Brasil com o nome “Revelações Divinas”, as escrituras constituem o alicerce da religião. Suas atividades estão baseadas em três princípios: Um Deus, Um mundo, Uma língua.

Um Deus

A Oomoto cultua o Grande Deus do Principio Criador, que seria o mesmo apresentado em outras religiões com outros nomes como Jeová, Alá, Deus, etc. Acredita que houve outros instrutores que anunciaram a mesma doutrina em outras épocas como Jesus Cristo, Buda, Confúcio, Maomé, entre outros.

Um mundo

Seria a constituição de um único governo estabelecido democraticamente que trataria de problemas mundiais e não apenas locais, sendo assim a Oomoto instituiu o Movimento de Federação Mundial.

Uma língua

Para os adeptos da Oomoto, o Esperanto seria a língua oficial desta nova civilização para que promovesse o diálogo entre todos os povos. Desta forma, o Esperanto deveria ser adotado como segunda língua em todos os países para que não houvesse mais oposição entre os povos. Sendo assim, diversas publicações da Oomoto no Brasil são publicadas em português e neste idioma, como forma de reforçar sua difusão.

Para maiores informações sobre as atividades da Oomoto no Brasil, recomendamos o acesso ao site da instituição no Brasil: http://www.oomotodobrasil.org.br/default.asp

Contudo, há de reforçar que em muitos estudos o xamanismo, as quais ambas as fundadoras foram expostas, seriam uma alternativa de fuga da realidade sofrida no contexto sócio-político-econômico japonês. Além disso, essa seria a única forma destas mulheres serem reconhecidas pela sociedade japonesa, pois eram consideradas como interlocutoras do sagrado neste mundo. Importante destacar também que no caso da Oomoto, a sucessão religiosa, após a morte de Nao Deguchi, fica restrita apenas as mulheres deste clã (família), e seu papel é puramente religioso. Ou seja, ao homem, cabe o desempenho de líder executor e Onisaburô Deguchi, cofundador da Oomoto, foi responsável pela sistematização e organização dos escritos da xamã.

Em nossos próximos estudos vamos conhecer um pouco mais sobre como ocorreu esse processo de xamanismo no Japão e quando falamos de incorporação, a quem estamos nos referindo?

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